Vazios de Poder, Poder Vazio
A história recente
tem trazido diversos exemplos em que a ausência de alternativas credíveis,
abrem espaço e criam a oportunidade para que alguns oportunistas vazios de
grande conteúdo, possam ser eleitos.
Depois de eleitos,
porque são fruto de um vazio de ideias, e de frases feitas que as pessoas
gostam de ouvir, e se revém, espelham toda a demagogia bacoca, e despotismo, ou
mesmo a incoerência total.
Muitas vezes até
fazem sentido nas primeiras decisões, e são até coerentes com o que prometeram.
Mas, depois, no decurso dos seus mandatos, a inconsistência de convicções vai sendo
evidente, e a prática é um rol continuado de decisões antagónicas, avulsas,
eleitoralistas, desgarradas de qualquer sentido de estado, e, tantas vezes,
destrutivas do bem comum. Normalmente, deixando o que regiam, pior do que o
encontraram. E, ainda, normalmente, são eleitos que nunca se demitem. Não
querem sair do poder. Porque eles, melhor que ninguém, sabem que foi só mesmo o
momento e a oportunidade, irrepetíveis, que criaram condições para que fossem
eleitos.
Mas o que me
parece muito comum nestas situações, é mesmo a ausência de concorrência
credível. Ou, pior. Os eleitores a quererem dar uma sapatada e quebrar com o
passado. Até aqui, ok. Mas, não havendo soluções, acabam por se virar para,
exatamente, aquela opção que surge do nada, na rutura, a dizer tudo o que quer
ser ouvido.
Donald Trump é,
muito provavelmente, o símbolo máximo desta situação. O momento, a ausência de
candidatos Republicanos nas primárias, o facto de a concorrente Democrata ser a
Hillary Clinton. E o “impossível”, o “inacreditável” aconteceu. Aliado a
convicções absurdas que podia mesmo mudar o rumo do mundo.
Um outro exemplo,
é o Brexit. Algum descuido, levou a que promessas impossíveis de cumprir ganhassem
um “mero referendo”… Foi de tal forma, que no dia seguinte havia eleitores a
perguntar se dava para votar outra vez. Os próprios vencedores do referendo, a
assumir na mesma noite, que não podiam cumprir algumas das promessas. Hoje,
temos um dos países fortes da EU a negociar uma saída que ninguém quer. Nem
eles nem ninguém.
Outros exemplos,
como o Bruno de Carvalho. A incoerência do Podemos. Típica de posturas
demagogas extremistas. E a incoerência dos seus líderes. Enfim.
Estamos, neste
momento, a assistir a um fenómeno semelhante. Em que tudo aponta que o
Bolsonaro seja eleito Presidente do Brasil. O que me parece na realidade é que ninguém
quer mesmo o Bolsonaro. Mas é o mal menor. Ou antes, é a única opção não PT. Na
realidade o que os brasileiros querem é quebrar a hegemonia do PT. Mas a opção
é má. Mas é a única.
Infelizmente, um
país com tudo para ser poderoso, encontra-se à beira de escolher entre dois
males. Acredito que no dia seguinte, vai haver muita ressaca…
Daqui retirar o
quê?
Estamos a
atravessar tempos de vazio de qualidade no que refere a políticos, líderes. Parece-me
que os bons não querem. Não há condições. E por isso, o espaço abre-se para os medíocres.
E temos mesmo que escolher entre o mau e o péssimo.
jnfb

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