Civismo. (ou falta de...)
@Publicado em MyWay a 31.Ago.2017]
Não me pretendo apresentar como um puritano, exemplo vivo do civismo. Não. De todo. Claro que faço asneiras, claro que tenho erros, claro que fiz e faço as minhas patifarias. E claro, é bem conhecido o meu “mau feitio”...
Mas, há algumas coisas que, claramente, são tão básicas que é incrível como não estão enraizadas, no nosso país, povo, costumes. Nós que nos gabamos de ser um país que sabe receber, e somos uns queridinhos para todos.
Mas depois, temos exemplos, que deviam envergonhar os pais de cada um de nós (aqui o primeiro problema - alguns (demais) nem se dão conta e/ou nem se interessam).
Com esta coisa da pseudo-liberdade, ainda tão mal explicada e ensinada a todas as gerações, incluindo aqueles que se apregoam com os heróis da sua conquista, depara-mo-nos com a estúpida interpretação de Liberdade como sendo algo tipo: “agora já posso fazer e dizer o que quero e ninguém me pode impedir, porque vivemos em Liberdade, ya?”, ou “outra versão mais abaixo: “man agora somos livres seu capitalista da merda” (uma vez chamaram-me isto, porque relembrei um indivíduo que não se podia sentar em qualquer lugar, porque os lugares eram marcados. Num estádio de futebol, em 2005); e depois há a mais erudita: “man, tá-se”.
A verdade é que a liberdade de um acaba onde começa a do outro. E não, não se pode dizer o que se quer. E não, não se pode fazer o que se quer. Não quero entrar na lei base do país - a Constituição - nem em normativos aplicados ao colectivo, nem sequer em regulamentos locais específicos. Chega, ou devia chegar, a educação que o papá e a mamã dão. Devidamente reforçados e treinados em ambiente escolar (mas para isso era preciso... bem tanta coisa..), mas não o é. Nem em imensas famílias, nem vergonhosamente em muitas escolas.
Sim. Estamos cheios e invadidos por pessoas mal educadas. Sim. Temos demasiadas pessoas com falta de civismo. Sim. No colectivo, eu diria que, principalmente nas grandes cidades, e nas linhas adjacentes, somos um colectivo pouco civilizado.
Claro que, felizmente, há imensas escolas, famílias, pessoas, em que isto é totalmente errado. Claro que sim. Mas o comportamento colectivo, sinto que é fraco.
Partilho alguns pequenos nadas que observo no meu dia-a-dia, assim para fazer o boneco! https://www.facebook.com/images/emoji.php/v9/f32/1.5/18/1f609.png;)
Levar o cão a passear à rua. Na minha visão das coisas, à excepção de uma imensa minoria, este é um dos exemplos mais graves. Há quem solte o cão e ele vá, e de surra volte sem o o próprio limpar o seu “cócó” (quem diria). Depois há aqueles que levam o cão, e fazem-se distraídos, ou levam para relvados de jardins públicos... virando a cara, ao mais que óbvio. Adoro cães. Fui criado com cães. Mas, lá estamos nós no domínio público. Uma sugestão é que a Polícia Municipal assuma este tema como prioritário. Até para a saúde pública. Os cães não têm culpa, porque são animais. Os donos é que são mesmo umas bestas.
Entrar e sair do metro. Esta é muito lisboeta. No Porto isto não é assim. Ou, pelo menos, eu nunca vi. Abrem-se as portas. E que faz o zé? e a zeza? Começa a empurrar tudo e todos para entrar. Ou menos mal, mas mal. Especam-se em frente à porta e não fica nenhuma brecha para uma pessoa passar. E claro isto tudo, ainda com as pessoas que vão sair lá dentro. Confesso que não consigo de todo entender este comportamento. Uma bestialidade que nem um cão minimamente treinado faz. Sugestão: Incluir esta regra básica na educação cívica na escola. Princípio simples. Primeiro saímos, para libertar o espaço, depois entramos para voltarmos a ocupar o espaço. Os senhores professores acham que podem ensinar isto? E os papás? É que isto tem utilização em todas as situações em que haja movimentos contrários a passar um porta. Boa? No Metro do Porto, há um aviso constante sobre este tema. Cá só temos os avisos para comprar o bilhete de ida e volta para o jogo da bola, e o diário “senhores passageiros, a linha azul encontra-se com problemas, podendo demorar mais... bla bla” (vale para todas as linhas). Eu até já pensei que o Metropolitano de Lisboa devia orgulhosamente avisar é naqueles momentos em que não há problemas em nenhuma linha. Chateavam muito menos as pessoas.
Conjuntamente com o tema anterior, há um outro princípio coexistente. Circular pela direita. Subir e descer escadas, corredores, túneis, estradas, ruas, etc... Se todos circularmos pela direita tudo flui de forma diferente. Mas não. Giro mesmo é ir de frente contra as pessoas que vem em sentido contrário, pela direita. Isso sim é divertido. Com sorte até apanhamos um espertalhão que reage, e ainda temos o delírio total de lhe chamar nomes.
Já agora. A ver se nos entendemos de uma vez. Escadas rolantes e tapetes rolantes. Ninguém obriga ninguém a andar. A máquina pode fazer isso por nós. Mas, minha gente, do lado esquerdo dessa maquinetas é para andar!!! Se queremos ir parados, ficamos parados à direita. Boa? É que isto é tão simples... Ah e esperem lá até chegar lá acima para dar esse beijo que parece o último da vida ou que está a ser filmado para Hollywood. É que fica confrangedor para as dezenas que querem passar.
Coisas como cuspir para o chão, atirar pastilhas para qualquer lado, fumar e mandar o fumo para a cara das pessoas (sim mesmo ao ar livre), urinar na rua, ... etc.. Não é de macho não senhor! É mesmo falta de civismo. Ok?
A propósito de fumar. É verdade que não há lei nenhuma que proíba de fumar no centímetro exactamente a seguir ao limite de proibição de fumar. Mas caramba, vamos lá oxigenar o cérebro. Fumar à porta de um edifício, à entrada de um túnel de acesso, à porta do Hospital (?!?!?!), dar a última passa antes de entrar para o comboio, ou para o carro de um não fumador, INCOMODAM mesmo quem não fuma. Já agora, aquela cena da beata não é reciclável, nem biodegradavel! Ok? Portanto, atira-se para onde? Não não é para o chão. Cinzeiro.
Outro dia, ainda naquela empresa maravilha - Metropolitano de Lisboa - encontrei uma besta a fumar no cais. Disse-lhe algo como: “Sabe que é proibido fumar aqui, claro”. A resposta teve um conjunto de palavras, enfim. Disse-lhe, “apague o cigarro sff”. Na cabeça dele eu já estava no tal sítio junto de uma senhora de má vida. Armei-me em bom cidadão (claro que à volta ninguém dizia nada, muito menos o “segurança” : ) : ) , oh well). Dirigi-me então a um “funcionário” daquelas/es que agora se metem nas antigas bilheteiras, de braços cruzados, porque ninguém sabe o que ali faz. Nem eles, acredito eu. E disse-lhe “está um ser humano a fumar no cais”. Resposta “não se preocupe. fica tudo gravado”. Nova pergunta. “Ok. Serve de prova, mas porque não vão lá notificar o senhor da infracção? Recolher os dados e depois juntar a prova em vídeo?”... silêncio... penso que deu o nó e gerou ali um curto circuito.
Com tanta gente válida sem trabalho...
Estacionar o carro em segunda fila. Anormalidade pura. Invariavelmente complementada por um buzinão imenso. Outra anormalidade. Por partes. É proibido estacionar em segunda fila. É proibido buzinar nas cidades. Mesmo quando não é, não deixa de ser um ato de falta de civismo. Porquê? Porque está a incomodar toda a gente, e o tipo ou a menina, não vem mesmo sem acabar de comprar o jornal, beber o café, ou acabar de pagar as compras, ou o raio que parta. Não vem!!! E depois, não deixa de ser engraçado aparecerem a pedir imensas desculpas e a simular uma “corrida preocupada” em direcção ao carro. É lindo. Sugestão. Cumprir a Lei. E como faço eu que estou devidamente estacionado, e não consigo sair? Chama a polícia. Foto ao carro, chama a polícia. Feito. Na próxima vai pensar duas vezes. Não vai lá de outra forma. Há até agora uma APP para fazer isto. [Google It]
Estacionar o carro em cima do passeio. Será que vale a pena explicar o erro e a solução? Penso que não. E nos locais reservados a deficientes, idosos e mães com crianças de colo? Também não é necessário... E em cima das passadeiras? Claro que não.
Alguém por favor explica que NÃO SE ANDA de bicicleta nos passeios? Princípio básico. Assim muito ilustrado. Branco, pessoas. Preto, veículos. A bicicleta é um VEÍCULO sem motor. Portanto PRETO. (Alcatrão para quando tiverem que explicar a pessoas mais ... Tá-se.
Já agora gente boa. A ver se nos entendemos. Ciclovias. Aquela coisa nova que começa a aparecer por toda a cidade. Tem lá umas bicicletas desenhadas. É para bicicletas. OK??? Não é para passear calmamente, e muito menos para passear o carrinho do bébé. É tão estúpido quanto imaginarem que estão a passear o bebé na parte preta! Alcatrão.
Acabo com aquelas demasiado endógenas, viscerais e ancestrais. Sim, são princípios fundamentais. Ontem, hoje e sempre. Prioridade absoluta e inquestionável, aos mais velhos. Sempre. Aos portadores de deficiência inibidora. Sempre. Às senhoras grávidas ou com crianças de colo (não aquelas que carregam no puto com barba ao colo para terem benefícios). Sempre. Às senhoras. Sempre. Sim meus amigos. O homem deixa sempre passar a mulher. Abre-lhe a porta. Ajeita a cadeira ao sentar. Espera que se sente para se sentar. Levanta-se quando chega. Sempre!
Soltas. Não se bate palmas no final do Hino. Não se bate palmas no minuto de silêncio. Não se grita ao telemóvel (já é proibido nos transportes públicos, mas só foi afixado... era preciso que a malta percebesse a bonecada). Não se anda na rua a ouvir música no speaker do smartphone. Não se anda nos transportes em tronco nu. Não se chama as pessoas aos gritos.
Se eu me lembrar de mais exemplos assim básicos, ou se ao ler este texto você tiver mais alguma sugestão, é mais do que bem vindo(a) a comentar e acrescentar.
Sugestão final. Civismo, não é só saber o que significa a bandeira, e outros sinais da pátria. Nem um conjunto de regras abstratas. Vamos lá começar a ensinar os miúdos coisas destas. Para que eles levem isto mesmo a sério e percebam o que está mal. Já agora, o filho é menor inimputável? Culpe-se os pais. Sem rodeios.
Recomendação. Tinha eu uns 19 ou 20 anos, e tive a oportunidade de assistir a um motivational speach do Senhor Mohan Mohan Mohan - um Indiano que iria ser o primeiro CEO da Procter & Gamble em Portugal. Além de muitos pensamentos sábios, usou como base do seu discurso/formação, o livro “All I Really Need To Know I Learned In Kindergarten”, de Robert Fulghum.
Deixo-vos as regras fundamentais deste livro, que nos são ensinadas na Creche. Por favor façamos o exercício de extrapolar e aplicar ao nosso dia-a-dia. (Deixo na língua original).
“ Share everything. Play fair. Don't hit people. Put things back where you found them. Clean up your own mess. Don't take things that aren't yours. Say you're sorry when you hurt somebody. Wash your hands before you eat. Flush. Warm cookies and cold milk are good for you. Live a balanced life - learn some and think some and draw and paint and sing and dance and play and work every day some. Take a nap every afternoon. When you go out into the world, watch out for traffic, hold hands, and stick together. Be aware of wonder. Remember the little seed in the styrofoam cup: The roots go down and the plant goes up and nobody really knows how or why, but we are all like that. Goldfish and hamsters and white mice and even the little seed in the Styrofoam cup - they all die. So do we. And then remember the Dick-and-Jane books and the first word you learned - the biggest word of all - LOOK. “
Citando a famosa Ellen, “Be kind to one another”

Comentários
Enviar um comentário