Perdi-te!


Não sei onde foi. Mas sei que te perdi!
Não sei se foi na depressão ou na excitação. Na loucura ou na escuridão. No riso ou na lágrima. No mar ou em terra firme. Na Lua ou no Sol. Ou mesmo num dia normal de frio ou calor. Mas sei. Perdi-te.
Os anos passam, a vida segue. Aos trambolhões, cambalhotas, pinos, mortais à retaguarda. Alguns saltos premiados, alguns louvores. Mas nunca mais foi o mesmo. Simplesmente porque te perdi. E deixaste de fazer parte do meu todo. E hoje sou apenas a parte que dói.
Procuro-te cada dia. Levanto tudo à tua procura. Cometo loucuras, erros e ilusões. Apenas para te encontrar. Mas nunca mais te vi.
Por vezes sinto que estás mesmo aqui. Já ali. É só mesmo esticar a mão para te tocar. Mas na realidade, já não estás. Foste!
Terás ido para o futuro da felicidade? Estarás junto de tantos que amo e já foram? Encontraste outro caminho? Outro parceiro para agarrar na mão? E deixaste para trás apenas este moribundo sem o teu sorriso?
Luto cada dia para ser melhor. Na esperança que te cruzes comigo e me encontres. Porque eu já nem sei onde procurar. Valerá a pena?
E continuo. Todos os dias a procurar-te. Porque sim. Fui eu que te perdi.
Se estás a ler… volta. Ou diz-me onde estás. Que eu vou. Porque não consigo ser mais sem ti.
A ti. A outra parte do meu Eu. Fazes-me falta. Para que eu acredite que sou capaz. Porque desde que te perdi a ti, minha essência, minha origem, crenças e valores, nunca mais fui capaz.
Perdi-me. A mim.

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