Genuíno (sentir)
Aprendemos nos bancos da escola, que
somos resultado da nossa génese, mas também do meio ambiente em que vivemos e
nos formamos.
Será
virtualmente impossível, nomeadamente nas sociedades com regras, sejam quais
forem, sermos realmente genuínos nos nossos comportamentos, pensares,
sentimentos.
Penso
que na realidade todos nos afirmamos ser genuínos, verdadeiros... Com
frequência ouvimos e lemos, ou até escrevemos e dizemos, coisas como "sou
como sou. quem gosta gosta, quem não gosta azar".
E
agora numa introspeção real, sem filtros, para os que ainda a conseguem fazer.
Assim só mesmo no nosso íntimo, e sem vergonhas. Será? Honestamente? Diria que
não. Porque é virtualmente impossível. Seja porque nós próprios fomos criando
as nossas regras e paradigmas, os nossos "castradores" mentais, que
não nos deixam sequer "pensar" em algumas coisas; seja porque a
sociedade tem regras explícitas, e muitas mais implícitas. Não dá.
Mas
sim. Tentamos por tudo, ser genuínos. Não se confunda com outros valores, como
retidão, respeito, verdadeiro, etc. Tentamos em tudo ser realmente aquilo que
sentimos que gostaríamos mesmo de fazer ou dizer, naquele preciso instante.
É
que depois gera-se esta contradição. Quanto mais genuínos no dizer, no fazer,
formos, mais loucos somos considerados pela sociedade envolvente. Porque ser
genuíno, quebra barreiras, quebra dogmas, quebra parâmetros. Quebra o socialmente
aceite. Porquê? Porque a nossa mente, o nosso ser, o nosso sentir, não tem
limites. Para os que ainda conseguem, a nossa mente consegue divagar por todo o
lado, sem fronteiras, sem o fica bem ou fica mal, sem a minha mãe não deixa,
sem filtros. E a vida está carregada de limites. Começa no toque do despertador
que é em si o primeiro limite do dia. Até ao “tenho que me ir deitar porque
amanhã é dia de trabalho”.
Mas
ser genuíno é bom? Pode não ser. Aliás normalmente não é. Porquê? Porque pode
ser no sentido da quebra das regras. E a sociedade não o permite.
Mas
pode ser bom. Sim. Eu quero fazer o bem. Faço o bem ao próximo sem limites.
Extremos.
Focando.
Penso
que somos sempre genuínos no que sentimos. Sentir. No fundo do eu. Ai penso ser
difícil não ser genuíno. Mas, e depois quando transmitimos esse sentir, para a
palavra, para a ação, para a demonstração efetiva desse sentir. Ainda somos
genuínos? Creio que aqui carregamos todas as castrações internas e externas,
até ao momento de demonstrar o sentimento. E quando entramos pelo canal da
comunicação, o recetor da mensagem, já só vai receber uma ínfima parte do que
genuinamente sentimos.
Acredito
no ser genuíno. No ser tão transparente e assertivo quanto a minha mente
consegue, para transmitir o que sinto. Ao próximo. Principalmente no sentido
positivo. Quero, exijo, que o outro receba a minha mensagem com a máxima
verdade possível, máxima intensidade, que sinta a força do que sinto. E, fator
decisivo, no momento em que o sinto.
Um
exemplo. O Abraço que te dou. Quero que o sintas, que o leias, que o consigas
escutar. Quero que percebas exatamente o que sinto, e por ali tento
transmitir.
Parece
tudo demasiado óbvio, eu sei. Mas não é.
Sinto.
Quero transmitir. Foco na transparência do que sinto, na assertividade das
palavras, dos atos que escolho para passar a mensagem, e executo, no momento em
que sinto. Nunca depois.
Se
calhar estamos carregados da certeza de ser genuínos no que sentimos.
Desvalorizamos a importância de transmitir o que sentimos, da melhor forma
possível para que o recetor perceba na íntegra, o meu sentimento.
Um
dos princípios da comunicação é que, se a mensagem não é bem percebida pelo
recetor, a culpa é do emissor. Apliquemo-la á transmissão do nosso sentimento,
genuinamente.
jnfb
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