Desportivismo
Sou um admirador e seguidor daquilo a que, vulgarmente, se chama, no desporto, "Modalidades", ou "Modalidades Amadoras". Hóquei, Andebol, Basket, Voley, Futsal. Essencialmente.
Nestas modalidades, o desportivismo, o "fair play", não é uma buzzword. É uma prática. Convicta. Sentida. Partilhada. Verdadeira. Pelos jogadores, treinadores e respectivo staff. Não, nunca, pelos adeptos. É uma vergonha o comportamento dos adeptos, principalmente nos jogos entre os grandes rivais. Ainda assim, muito menos mal, do que o que se passa no futebol.
No Futebol, estamos cada vez mais afastados do verdadeiro desportivismo, saber perder, respeitar a superioridade - dentro das linhas - do nosso adversário. Os fãs, têm os comportamentos mais estranhos, loucos e abusivos que conhecemos. E, tantas (demasiadas) vezes, mesmo entre os jogadores.
Ainda assim, genericamente, entre os desportistas, há desportivismo, fair play, saber ganhar e saber perder. O maior problema é mesmo com os fãs, adeptos...
Um dos maiores instigadores a tudo isto, na minha opinião, são as horas escandalosas que as televisões dedicam ao debate do "futebol". Salvo raríssimas excepções, estas horas são enchidas com pessoas que nunca discutem o futebol (sim porque não se fala de outros desportos) em si. Apenas verborreiam sobre temas incendiários - preferencialmente. Arbitragem invariavelmente, o que disse A ou B, e por aí fora. Não se vê praticamente ninguém, a falar de estratégia, táctica, ensinar as regras, e por aí fora.
E nisto vivemos o "desporto". Estou mesmo convicto que uma escandalosa maioria, assiste ao futebol, não porque gosta de futebol, mas porque gosta do clube A ou B. Nas modalidades já não é bem assim. Porque se gostassem e percebessem o futebol, teriam - quase imediatamente - uma portura muitissimo diferente. Tendencialmente desportiva, de fair-play, de respeito pelo adversário.
Pratiquei vários desportos. Três em competição, dois singulares, um colectivo. Extremamente competitivo. Mas os singulares ensinaram-me que os resultados dependem de mim. O colectivo, que somos responsáveis dos nossos atos perante os outros. Entre outros claro.
Mas o que mais aprendi, é que é que o(s) outro(s) são adversários, apenas e só, desde que começa o "jogo" até que acaba. E aí sim, tudo para ganhar, dentro das regras e respeito absoluto pelo adversário. Mas quando acaba, acabou. Não há rigorosamente nada que eu, ou a minha equipa, possa fazer, para alterar o que acabou.
Nós vivemos muito mais o desporto, entre o fim de um jogo e um princípio do outro, do que entre o início e o fim desse mesmo jogo.
Isto porque a esmagadora maioria de nós, dos nossos filhos, e das juventudes em geral, não praticaram realmente nenhum desporto. Individual ou colectivo. Eu sou um defensor absoluto de que os nossos filhos têm que praticar um desporto colectivo, de forma séria, o máximo de tempo possível. Anos. Entendo isto como um pilar da educação. (Vou deixar a explicação desta minha postura para outro artigo).
Gostava muito que conseguíssemos passar o desportivismo, o fair play, o respeito pelo adversário, existente entre os jogadores, para os fãs, adeptos...
Deixo apenas e só um exemplo.
Campeonato do Mundo de Futebol 2018.
Uruguay x Portugal
Portugal está a perder, já com pouco tempo para mudar o jogo.
O Uruguay está desde o primeiro minuto a perder tempo, em cada falta, em cada lançamento, em tudo o que pode. Estamos todos furiosos com este "anti-jogo". (Já agora, permitido pelas leis).
O tipo que está a ser o nosso carrasco no jogo, magoa-se. E sim, continua a fazer tudo para perder tempo. Estamos furiosos ao rubro.
E surge aquele que é o melhor do Mundo. Com toda a certeza, aquele em que mais confiamos para resolver o assunto, que tem toda a pressão em cima, que tem em jogo voltar a ser ou não o melhor do Mundo. É ele que ajuda o adversário a sair do campo.
Era isto.
jnfb

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