A Greve é um contrassenso
Há um contrassenso enorme nesta coisa das greves dos funcionários públicos.
Hoje em dia, com muito raras excepções, os Sindicatos já nem Sindicatos são. São apenas e só "piquetes de greve". Isto porque há muitos anos que a única coisa que sabem propor como arma de luta, é a greve. E quanto mais perturbar melhor. Quanto mais impacto tiver, melhor.
Mas é exatamente aqui, que eu vejo o contrassenso.
Assumamos a verdade conceptual, que o governo é um conjunto de pessoas que são escolhidas pelos cidadãos, para governar o país, os seus recursos, meios, e garantir um conjunto de princípios ao povo, respeitando e fazendo respeitar as obrigações de todos, e, preferencialmente, estimando o nosso património e dinheiro, utilizando-a da forma mais apropriada. (SIm é uma definição extremamente redutora, mas, penso, explica o conceito).
Desta forma, presidente, governo, deputados, e um vasto conjunto de outras entidades, são representantes dos nossos interesses, e, por inerência, nossos "empregados". A quem nós pagamos.
Os funcionários públicos, são pessoas contratadas para garantir o melhor funcionamento dos bens e dos serviços públicos. Que por sua vez, auferem os seus vencimentos, por via dos nossos impostos, que são as receitas que gerem os tais que escolhemos para governar o que é nosso. Ou seja, estes funcionários públicos, são nossos "empregados" (Juridicamente, é escasso para assim os considerar, mas a ideia principal, é que é com o dinheiro que entregamos ao estado por via dos impostos, que são pagos os seus vencimentos, prémios, etc. etc.)
Ainda estes serviços são direccionados para os cidadãos. Contribuintes. Numa óptica empresarial, que infelizmente está longe de ser verdadeira numa parte significativa destes funcionários públicos, nós somos clientes finais dos seus serviços.
Ainda e sem sequer fazer julgamentos ou caracterizações sobre o "funcionário público", porque seria injusto para uns, e demasiado brando para outros, é bem sabido que a forma como os cidadãos veem e classficam os serviços públicos, não prima pela positividade.
Não me vou alongar em considerações laterais sobre tudo isto, para não perdermos a linha de raciocínio. Voltando agora ao contrassenso.
Neste momento, penso que é fácil de entender que, perante os funcionários públicos, os contribuintes e os cidadãos no geral, representam dois papeis. Por um lado somos "patrões", no sentido em que pagamos os seus vencimentos, por outro, somos os clientes e utilizadores dos serviços que executam.
E agora a greve dos funcionários públicos.
Inevitavelmente, em qualquer greve de funcionários públicos, quem é afectado é o cidadão. Por muito que digam que a culpa é dos gestores e do governo, (e até pode ser, não é esse o tema), a verdade é que a greve em nada afecta os mesmos. Nada. Os vencimentos mantém-se. E se o serviço ou empresa der prejuízo, não há qualquer problema. Porque vem mais dinheiro. Dos contribuintes. E se não vier... Greve.
Mas ao mesmo tempo que afecta os cidadãos com prejuizos graves para os mesmos, financeiros, e outros. Por consequência às empresas que lhes pagam o vencimento, porque não se conseguem apresentar ao trabalho (e esses também contribuem e muito, para os vencimentos dos funcionários públicos). Ou nos pacientes que esperam às vezes anos por uma consulta, e no dia que vão, há greve. Ou nas pessoas que necessitam de recorrer a serviços que, além de já serem considerados desadequados, não funcionam porque estão em greve. E todos os outros casos que, facilmente, cada um poderá ver na sua situação pessoal.
E no final, normalmente de pouco servem as greves, porque raramente têm o impacto desejado. E cada vez mais raramente. Na verdade, apenas um grande impacto é gerado. Aos cidadãos, e aos seus empregadores. Que, naturalmente, é o estado.
Em suma, a greve prejudica o Cidadão, que é o cliente final dos serviços públicos. Que por sua vez é também o contribuinte, que com o seu trabalho entrega ao Estado, os seus impostos, para pagar os vencimentos do Funcionário Público. E ainda, volta a interferir com o Contribuinte, no sentido em que, havendo sucesso no objetivo da greve, irá implicar mais esforço ao mesmo Contribuinte.
Aqui o contrassenso. A Greve afeta o Cidadão/Contribuinte três vezes. E, digo eu, isto é já muito pouco inteligente. Porque às tantas os cidadãos, são cada vez mais elucidados e com acesso a informação. E se numas vezes concordam com as razões da greve, cada vez é mais notório que já não alinha e aceita, só porque é um "direito"...
Todos trabalhamos que nem loucos, pagamos impostos elevados... E estas coisas começam já mesmo a não fazer sentido para cada vez mais Cidadãos. E muito menos aos Contribuintes.
Repito, situações - algumas - há, em que há razão. Noutras... não de todo.
Não seria hora de os sindicatos e os sindicalistas, voltarem a ser Sindicatos? A cumprir a sua missão em todas as dimensões? É que assim caminham rapidamente para a descredibilização por parte dos cidadãos.
A Greve dos Funcionários Públicos, é um Contrassenso. Já era tempo de se encontrarem outras formas de gerir estes temas. Ou se calhar, um bom começo seria mudar as caras que aparecem todos os dias na TV, por outras mais jovens, que tenham efetivamente a experiência da profissão que defendem.
Felizmente, o mundo avança todos os dias. A minha geração ainda tolera estes Contrassenso, Aquela que agora entra e sai da Universidade... não vai dar para este peditório.
Era isto.
jnfb
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