Os Grandes Eventos em dia de Eleições


Sobre este tema, a discussão tem vindo a incidir no ponto em que o facto de haver jogos de futebol em dia de eleições, promove a abstenção.
No mínimo é cretino, hipócrita e de quem não quer discutir o tema de fundo. Esta discussão torna-se tão parva, quanto mais a analisamos.
Ainda ontem ouvia um político dizer que, não há dúvida que os eventos desportivos, porque os adeptos se deslocam para outra cidade, então a probabilidade de votarem é muito pequena.
Facto. Em Portugal, estamos a falar no máximo de 3.000 pessoas que se deslocam assim. E garantidamente, esta deslocação é entre Lisboa/Porto/Lisboa apenas. Mais uma vez, a legislar em função da minoria. Algo que é muito típico dos partidos de esquerda, causando imenso debate e polémica, sobre temas que não afectam na verdade a sociedade portuguesa.
Defender que o futebol é um assunto de tal forma importante que afecta o acto eleitoral, e tem que ser proibido nas horas de voto, é uma completa parvoíce e desviar a verdade do tema.
A abstenção sim, é o tema. Mas as causas da abstenção são várias e distintas.
Começando pelos próprios políticos. Em Portugal é extremamente difícil assistir a um debate político que fale realmente dos asssuntos. Só se fala do diz que disse, de não temas, de cosuvilhice, casos e casinhos. Não há políticos em Portugal. Não creio que, face aos debates existentes, alguma pessoa possa, com convicção, dizer que prefere aquele partido, porque concorda mais com o Programa Eleitoral que apresenta. Claro que há duas expcepções de pessoas. Os que invarialmente são fieis ao partido e àquilo que ainda hoje sentem que defende a sua orientação, e aqueles que, mais esclarecidos, efectivamente ponderam em função da realidade atual e as propostas apresentadas, ou talvez até melhor, gostam do protagonista.
Estou convencido que o facto de muitas pessoas estarem convencidas que são todos iguais e, na verdade, acreditarem que mal ou bem, todos farão o mesmo em função de um conjunto de regras europeias e mundiais, também as leva à abstenção. E por isso não vão lá votar. É nestes que há que actuar!!! Penso que é aqui que está o problema.
E eu acredito que uma das coisas que creio mais contribuirem para a abstenção, centra-se e baseia-se naquilo a que chamo a péssima educação democrática que tivemos e temos. Já aqui abordei o tema da cidadania. E este tema enquadra-se ai. É que na constituição a par com os direitos, há as obrigações. Votar é um direito! Mas é simultaneamente uma Obrigação. Não deixando de ser verdade que a Abstenção é também um direito.
O problema é que nunca nos ensinaram o significado de cada cruz, ou falta dela! Porque isso não interessa, nem dá jeito.
É que só no boletim de voto se pode expressar opinião. Não indo votar, abstendo-se, só se exprime uma de duas coisas. O assunto político em causa não me interessa, ou, não consegui vir votar.
Quando no processo eleitoral, queremos exprimir que não gostamos ou queremos nenhuma das soluções apresentadas, usa-se o boletim de voto. Entregando-o em branco. O Voto em Branco! Sim, o voto em branco é que tem significado. Até porque tem que ser contabilizado, e diferenciado dos nulos. Votos nulos, são os que apresentam erros, ou a cruz não identifica claramente a opção escolhida.
No dia em que o voto em branco for entendido e utilizado pelos eleitores, ai sim, teremos consequências diretas. Rapidamente se tornarão numa força política com mais votos de muitos partidos! E isso sim, tem que ser considerado e utilizado.
E eu estou em crer que a maior parte da abstenção seria, na realidade, votos em branco.
Este sim é o problema. Não é o futebol. Estará mais gente fechada em centros comerciais nesse dia, mais gente nas missas, e se tiver sol, muito mais nas praias. Fechamos isso tudo? Estupidez.
Temos é que explicar e ensinar o que é o processo eleitoral, e como se demonstram vontades. E, claramente, passar a ensinar que o Voto deve ser encarado com um direito de exercício obrigatório.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Ode aos Benfiquistas. Joaquim Ferreira Bogalho

Civismo. (ou falta de...)

Perdi-te!