O dia em que o Mundo mudou


Este dia de há 16 anos atrás, está indelevelmente gravado na minha memória. Garantidamente na memória colectiva também.
Sou um fã assumido dos EUA, de várias das suas cidades, que tenho a sorte de conhecer. Mas, “New York is New York”.
Antes do 9/11 estive duas vezes no topo das Twin Towers. Conheci o Financial Center. Passeei na Marina por trás do complexo... Senti o poder demonstrado por todo o complexo. Andei naquele metro, saí naquela estação. Tudo.
A cidade onde, depois da primeira vez, decidi que seria a cidade onde passaria a noite de final de ano, década e século. Que tudo faria para que a minha família tivesse esta oportunidade. E assim foi. Pelo significado. E sim, Times Square na noite de 31.dez.1999.
Tudo isto apenas para tentar enquadrar o significado de New York para mim.
De repente, (aparentemente) do nada, trabalhava eu na Torre 1 das Amoreiras, e ... ao descer ao Shopping, deparo fico parado - petrificado - em frente a uma televisão na zona de restauração.
Acontecia o impensável. O inacreditável. Um avião tinha embatido numa das Twin Towers... E depois outro, na outra, e de repente um pânico mundial instalado. Já havia outro a caminho do Pentágono, e outro a caminho da Casa Branca. Apenas o último não tinha tido sucesso.
Desde o primeiro embate, consolidado pelo segundo, que senti e me mentalizei profundamente, que a partir deste preciso momento, o mundo jamais seria o mesmo. E ali mesmo tinha começado toda uma nova ordem na geopolítica mundial. Mas desta vez com impacto muito directo nas populações.
Não vou aqui abordar a polémica, ainda existente, da teoria da conspiração. Nomeadamente através do movimento “Zeitgeist”, que afirma e documenta a teoria de que tudo foi previamente preparado, e coordenado pela CIA. É absolutamente assustadora a lógica seguida. Tão “lógica” que dá para acreditar. E se for? Pânico...
Hoje já nem valorizamos algumas coisas. Caso típico de “primeiro estranha-se e depois entranha-se” Os meus filhos, por exemplo, já foram criados neste novo conjunto de princípios. Para eles é perfeitamente normal serem revistados intensamente à entrada de um avião, de um edifício mais importante. E para nós é?
O que se passou de uma forma implícita e de aceitação tácita, é que todos prescindimos de uma parte da nossa liberdade individual, em troca de uma protecção colectiva. E isto faria sentido. E faz. Mas, não teremos apenas, e só, perdido a tal parte de liberdade de que tacitamente prescindimos? Estamos seguros? É por sermos completamente revistados, despidos ao entrar num avião ou num edifício, que estamos seguros?
Mas agora não é os carros a atropelar pessoas? Como vamos fazer agora? Passamos a ter um GPS com limitador e power-cut em cada carro? Estamos seguros? Não estamos. Ponto. Estamos a tratar das consequências e não da doença.
Porque por outro lado continuamos a ser uns santinhos que deixamos permanecer nos nossos territórios, pessoas sob vigilância (algumas delas com crimes comprovados, e com evidências de pertencerem a células terroristas). Faz sentido? Não creio.
É simples, eu prescindi de parte da minha liberdade, para isto. O mínimo que espero é que estas pessoas seja deportadas dos nossos territórios. Radical? Extremista? Insensível? NÃO!!!!
O que devia preocupar aos politicamente correctos que não tem coragem de dizer o que pensa, é que já pusemos pilares e obstáculos nas zonas mais movimentadas das cidades. Colocamos polícia e militares nas ruas, que, na verdade só nos incomodam a nós. Porque aos potenciais criminosos, isso é mais um sinal de vitória.
Sinto mesmo que estamos a ver tudo ao contrário. Não pode haver justiça e tratamento igual, apenas de um lado. É cretino. E é absolutamente letal.
O que sinto que fizemos nestes 16 anos, foi castrarmos gradualmente a nossa liberdade, e pouco fizemos para “curar a doença”. Só há coragem para atacar os nossos povos, e um medo incrível de fazer o que tem que ser feito com quem vem para os nossos territórios, espalhar o terror.
Clarifico. Sou completamente a favor de ceder uma parte da minha liberdade (que na realidade hoje é muito mais do que o cidadão comum sequer imagina), em troca de segurança. Mas com uma condição. Que haja coragem de resolver o problema. Expulsar quem nos quer fazer mal. E tirar esta batalha do interior dos nossos territórios, com as nossas pessoas (até nisto foram inteligentes e nós permitimos), e levá-la para a origem. Mas para isso, tem que haver muita muita coragem.
Não há. E disso é que eu tenho medo.

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