“Fire and Fury”


[Publicado em MyWay a 03.Set.2017] Hoje acordei com a notícia de mais um “teste nuclear” da Coreia do Norte. O sexto. Provocou um sismo de 5,9. Com a potencia oito vezes superior à Nuclear de Hiroshima. De acordo com os especialistas em sismologia, quando comparando com o anterior teste de hidrogénio, é demonstrativo de uma evolução muito significativa da capacidade nuclear, demonstrável, da Coreia do Norte.
Fala-se da eminência da III Guerra Mundial. A meu ver, é a IV, porque a III está a ser a Financeira. Mas isso é outro tema. Estaremos à beira da III (ou IV) Guerra Mundial?
Não sou versado em política internacional. Mas, estou absolutamente convencido que está aqui um verdadeiro berbicacho. Sendo simpático.
Então, em que pé estamos?
Neste preciso momento enquanto escrevo (enquanto ainda é madrugada em Washington), ainda não há reacção de Trump.
A Coreia do Norte, tem vindo a realizar sucessivos e progressivos testes balísticos e nucleares. Tem recebido a condenação de todo o mundo. Uns mais outros menos. Após o último, cujo míssil sobrevoou território japonês, Trump foi absoluta e inequivocamente específico na ameaça. Se voltarem a fazer um teste que seja, ataco-vos de forma que nunca ninguém viu ou sentiu na história. “Fire and Fury”.
Resposta da Coreia do Norte. Outro teste, o maior de sempre. (potência 8 vezes superior a Hiroshima).
Coreia do Norte.
Dizem os especialistas políticos, que ele não quer correr risco de ser evaporado, e que a sua dinastia e país desapareçam. Parece ser muito mais uma demonstração de poder, e a exigência de ser reconhecido como uma potencia militar, mais do que qualquer coisa. Destronar o lugar de perigo eminente que tem o Irão.
Numa entrevista na CNN, alguém dava uma visão que me pareceu muito interessante. O Kim quer ocupar o lugar que ficou vazio, após a morte de Bin Laden e Saddam Hussein. A pessoa que personifica a oposição declarada e mortífera aos EUA. (O ISIS é a oposição assumida aos não islâmicos, não necessariamente aos EUA). E isto obriga-o a um conjunto de demonstrações de poder e, até, eventualmente uma aplicação prática.
Estados Unidos da América.
Estão numa situação extremamente complicada. Porque ameaçaram de morte, caso houvesse a mínima ameaça. Será agora extremamente difícil, voltar atrás com a palavra. Penso que o Trump não o pode fazer. Depois, veio até abrir a porta ao diálogo, dizendo que respeitava o Kim, porque estava a aperceber-se que a Coreia do Norte começava a respeitar os EUA. Kim respondeu com outro teste. Num dos últimos tweets de Trump, diz algo como “Talking is not the answer”.
Solução apontada como viável. Set back and talk. Ou seja, dar tudo um passo atrás e voltar às conversações que vêm desde Bush. Mas, o problema é que isto não pode ser feito pelos dois personagens. E vai implicar que entrem outros players. Os mais apontados, porque interessados, são o Japão, a China e a Coreia do Sul.
Todos aprovam as sanções da ONU, todos reprovam as acções da Coreia do Norte, no Conselho de Segurança da ONU. Mas, e no que toca a actuar?
Japão. Tem uma situação complexa. Já foram invasores da Coreia do Norte. Apesar de hoje serem o país que mais facilmente pode chegar à conversação. Mas ficou numa posição mais difícil com o o míssil que os sobrevoou. E, por outro lado, tem obviamente interesses. Mas, é dos primeiros a sofrer consequências caso haja o destronar do Kim. Nomeadamente com refugiados de guerra. Preferem um equilíbrio que mantenha o Kim quieto no poder, em vez de um confronto militar. Mas, por outro lado, foi atacado.
China. Tomou uma posição interessante. Que, no meu entender, é claramente uma exigência de conversações. Se a Coreia do Norte, voltar a ameaçar, e a incumprir, apoiará os EUA. No entanto, disse aos EUA que se atacarem se vê obrigada a defender a Coreia do Norte. Tem também os receios das imigrações e fugas da guerra.
Coreia do Sul. Sabe que qualquer tiro, os afectará a eles. Nem precisam de misseis para atingir as capitais uns dos outros. É já ali ao lado.
Depois há o mundo. Que se por um lado entendemos que o Kim é louco, e que pode bem fazer um disparate que despolete o descontrolo e a euforia, por outro, não creio que estejamos preparados para que os EUA, mesmo com uma força da ONU, ataque o Coreia do Norte.
Set back and talk. Só pode ser por aí. Se vai acontecer? Duvido. O Kim matou o tio que o criticava, e parece certo que a morte do irmão no aeroporto é ordem dele. A Coreia do Norte vive numa espécie de Dinastia importa pela desinformação e pela militarização. Kim é adorado e idolatrado como um deus vivo. O nível de desinformação e alheamento da realidade incutido no povo, é brutal e incompreensível e mesmo inacreditável, na nossa mentalidade.
No fundo, penso que continuamos todos a assentar as nossas crenças e esperanças no facto de que nenhum Homem terá a coragem de “Push the Red Button”.
Estaremos perante o primeiro homem em que isso não parece ser tão certo. E sim, acho que nos devemos preocupar.
No entanto, penso que a única porta de saída, é mesmo reconhecer a Coreia do Norte como potência nuclear. Apesar de isso ser um risco muito grande, até porque valida e reconhece o comportamento recente da Coreia do Norte como válido. E isso é um precedente muito complicado. Mas, acho que os EUA terão que engolir este sapo. A bem de todos. Penso que será mesmo por aí. E só mesmo por aí.
Let’s keep the world a safe place.
Or not...

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